A Tirzepatida configura-se como um agente farmacológico inovador pertencente à classe dos agonistas duplos dos receptores de incretinas, com atividade simultânea sobre os receptores do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP).
Esse duplo mecanismo de ação promove efeitos sinérgicos na regulação da homeostase glicêmica, por meio do aumento da secreção de insulina dependente de glicose, supressão da secreção de glucagon, retardo do esvaziamento gástrico e modulação central do apetite, resultando também em redução significativa do peso corporal.
O que diz a ciência sobre a Tirzepatida?
A ampliação de suas indicações terapêuticas (inicialmente restritas ao manejo do diabetes mellitus tipo 2), para o tratamento da obesidade e de condições metabólicas associadas, tem contribuído para um aumento expressivo da exposição populacional ao fármaco – cenário que amplia o espectro de utilização clínica.
Neste sentido, a capacidade da Tirzepatida de reduzir a incidência de eventos cardiovasculares adversos é uma das descobertas mais promissoras, com estudos demonstrando uma redução significativa de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) em pacientes com diabetes tipo 2.
Além disso, pesquisadores reforçam a ideia de que, quando comparada a outros tratamentos, como a Semaglutida, a Tirzepatida apresenta resultados superiores em termos de prevenção cardiovascular.
O mecanismo subjacente a esses benefícios parece estar ligado à combinação de controle glicêmico aprimorado, perda de peso e efeitos anti-inflamatórios. Ala e Eftekhar (2023) enfatizaram que a perda de peso promovida pela Tirzepatida também ajuda a reduzir a gordura visceral, um dos principais preditores de complicações metabólicas e cardiovasculares.
A diminuição da gordura visceral leva a uma melhora na função hepática e uma redução da inflamação sistêmica, ambos fatores cruciais na prevenção de doenças cardiovasculares. Além disso, o estudo de Nicholls et al. (2024) apontou que a Tirzepatida foi eficaz na reversão parcial ou total da síndrome metabólica, uma condição altamente prevalente entre pessoas com obesidade e diabetes.
Como a inflamação crônica é uma das principais vias patológicas para o desenvolvimento de aterosclerose, o fato de a Tirzepatida reduzir marcadores inflamatórios sistêmicos também contribui para seu perfil de proteção cardiovascular.
Além disso, os efeitos da medicação sobre o perfil lipídico, incluindo a redução dos níveis de colesterol LDL e triglicerídeos, ajudam a desacelerar o processo de formação de placas ateroscleróticas, diminuindo o risco de eventos coronarianos. Ainda, o uso da Tirzepatida em pacientes diabéticos demonstrou oferecer um efeito protetor macrovascular significativo.
Este efeito resulta na redução de eventos cardiovasculares adversos maiores, como infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Ademais, Sattar et al. (2022) ressaltaram que o uso da Tirzepatida não aumentou o risco de eventos cardiovasculares maiores em pacientes com Diabetes tipo 2 que fizeram o uso da medicação.
Portanto, a Tirzepatida surge como uma medicação altamente recomendada para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), especialmente em pacientes que já apresentam complicações decorrentes de doenças cardiovasculares ateroscleróticas.
Outrossim, pacientes que sofrem de diabetes tipo 2, especialmente aqueles que também apresentam excesso de peso e doenças cardiovasculares, foram capazes de diminuir significativamente seu risco cardiovascular por meio do uso de agonistas do receptor GLP-1.
Esses pacientes, ao utilizarem esses agonistas, conseguiram observar uma redução notável no risco associado às complicações cardiovasculares, o que demonstra a eficácia desse tratamento específico para essa população.
E quais as limitações para o uso desse análogo GLP-1?
Embora os estudos mostrem resultados promissores, algumas limitações importantes precisam ser discutidas. Em primeiro lugar, muitos dos ensaios clínicos realizados foram de curto a médio prazo, com um acompanhamento limitado, dificultando a análise de resultados de longo prazo. Isso é particularmente relevante para a avaliação do impacto cardiovascular da medicação, uma vez que muitos dos benefícios esperados, como a redução de eventos coronarianos ou a progressão da aterosclerose, podem demorar mais tempo para se manifestar plenamente.
Além disso, a maioria dos estudos focou em pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade, deixando uma lacuna de conhecimento sobre os efeitos da Tirzepatida em outras populações, como pacientes com insuficiência cardíaca ou doença cardiovascular estabelecida. Assim, a eficácia e segurança da Tirzepatida em populações com diferentes perfis clínicos e demográficos ainda precisam ser investigadas em maior profundidade.
O que se sabe, no entanto, é que existe uma relação cardioprotetora no que diz respeito à Tirzepatida e efeitos cardiovasculares. Em especial no que diz respeito a redução significativa tanto da pressão arterial sistólica quanto diastólica, além da melhora da sensibilidade à insulina, que também contribui para uma maior secreção de insulina, o que resulta em um controle glicêmico mais eficaz, o que tem implicações diretas na redução de complicações micro e macrovasculares.
Além disso, a capacidade da Tirzepatida de reduzir a incidência de eventos cardiovasculares adversos mostrou-se uma das descobertas mais promissoras, demonstrando uma redução significativa de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) em pacientes com diabetes tipo 2.
Referências
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