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Suplementação & Alzheimer

Suplementação & Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de idosos em todo o mundo, resultando em redução significativa da função cognitiva, física e funcional. O impacto no estado mental dos pacientes é profundo, envolvendo desde a perda de memória até mudanças no comportamento e na capacidade de raciocínio. Dada a complexidade da doença, torna-se essencial explorar intervenções que possam mitigar os efeitos adversos no estado mental e, por consequência, melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.

O estado mental refere-se à condição cognitiva geral de um indivíduo, abrangendo memória, atenção, orientação, linguagem e habilidades de resolução de problemas. Pacientes com Alzheimer frequentemente apresentam comprometimentos severos nessas áreas, o que agrava a progressão da doença e compromete sua independência. Por esse motivo, o monitoramento e a manutenção de um estado mental saudável em pacientes com Alzheimer são de extrema importância. Estudos recentes têm sugerido que a suplementação pode desempenhar um papel crucial na manutenção e até mesmo na potencial melhora da saúde cognitiva e do estado mental: nutrientes como vitaminas, minerais e antioxidantes têm sido associados a benefícios neurológicos diversos.

A Vitamina B12, por exemplo, é conhecida por seu papel essencial na manutenção da saúde do sistema nervoso, e sua deficiência está frequentemente associada a problemas cognitivos e demência. Autores mostraram que a suplementação com Vitamina B12 pode retardar o declínio cognitivo em pessoas idosas com deficiência dessa vitamina.

Esta deficiência pode afetar a divisão celular, desencadeando a redução da produção da molécula de DNA, o que produz um retardo da maturação do núcleo das células. Como consequência acontece o aparecimento de células grandes, levando a um quadro de anemia megaloblástica. Essa deficiência também produz um risco alto de doenças neurológicas, que depois da anemia gera desmielinização nervosa que iniciada periferia, progredindo para o centro. Os indivíduos que apresentam sintomas como entorpecimento, formigamento e queimação dos pés, rigidez e a fraqueza nas pernas, doenças neurológicas incluindo raciocínio prejudicado e depressão e, se prolongada a deficiência, pode causar danos permanentes aos nervos. Essa sucessão de acontecimentos por causa do déficit de Vitamina B12 no Sistema Nervoso Central (SNC) pode favorecer o surgimento de demências na população idosa. Isso pode ser explicado devido a Vitamina B12 ter um papel importante no organismo humano para duas enzimas, que estão interligados ao metabolismo da homocisteína (Hcy): a L-metilmalonilCoa mutase e a metionina sintase. A metionina sintase é essencial para manutenção da mielina, enquanto a L-metilmalonilCoa mutase está englobada na eliminação do excesso de Hcy, a qual é tóxica aos neurônios e vasos sanguíneos e pode induzir mudanças no DNA, estresse oxidativo e apoptose.

O estudo de Chen et al. (2021), randomizado, simples-cego e controlado por placebo avaliou os efeitos da suplementação combinada de Ácido Fólico e Vitamina B12 no desempenho cognitivo e na inflamação em pacientes com doença de Alzheimer (DA). Após 6 meses, os resultados mostraram que esta suplementação foi associada a melhorias significativas no desempenho cognitivo, com aumentos nas pontuações do MoCA (P=0,029), nomeação (P=0,013), orientação (P=0,004) e atenção no ADAS-Cog (P=0,008), quando comparado ao grupo placebo. Além disso, a suplementação aumentou os níveis plasmáticos de SAM (P<0,001) e a relação SAM/SAH (P<0,001), e reduziu significativamente os níveis de homocisteína sérica (P<0,001), SAH plasmático (P<0,001) e TNFα sérico (P<0,001). Os achados sugerem que a suplementação de Ácido Fólico e Vitamina B12 pode ter um efeito terapêutico positivo, melhorando tanto os marcadores cognitivos quanto inflamatórios em pacientes com DA, especialmente aqueles que não estavam em uma dieta fortificada com ácido fólico, o que reforça a importância da intervenção nutricional no manejo da doença de Alzheimer e na prevenção da demência.

Além da Vitamina B12, as vitaminas do Complexo B também inclui a tiamina (B1), a riboflavina (B2), a niacina (B3), a piridoxina (B6) e o folato (B9). Baixos níveis séricos de vitaminas do Complexo B são frequentemente encontrados em idosos. Particularmente, a deficiência de vitaminas do Complexo B tem sido associada a quadros de declínio cognitivo e demências. Em quadros demenciais, as concentrações de homocisteína se mostraram associadas aos déficits cognitivos. Achados apontam que o aumento dos níveis deste aminoácido está envolvido com os mecanismos patológicos que levam à neurodegeneração. Neste sentido, evidências apontam que a suplementação com vitaminas do Complexo B é capaz de regular a formação de homocisteína em poucos dias.

Entre os nutrientes estudados, a Coenzima Q10 (CoQ10) também tem recebido atenção especial. Cofator essencial na cadeia respiratória mitocondrial, a CoQ10 desempenha papel central na produção de energia celular e apresenta potente ação antioxidante, capaz de neutralizar radicais livres e reduzir danos oxidativos, processos fortemente envolvidos na neurodegeneração associada ao Alzheimer. Estudos experimentais demonstram que a suplementação com CoQ10 melhora a função mitocondrial, reduz a apoptose neuronal e atenua processos inflamatórios no sistema nervoso central. Em modelos animais, observa-se melhora em parâmetros cognitivos e proteção contra a deposição de beta-amiloide, uma das proteínas-chave na fisiopatologia da DA. A combinação terapêutica também aparece como estratégia recorrente: CoQ10 coadministrada com agentes sinérgicos (citicolina, curcumina, vitaminas do complexo B, exercícios físicos estruturados) tende a produzir efeitos maiores sobre mitocôndrias, marcadores inflamatórios e comportamento do que a CoQ10 isolada em modelos experimentais.

O Selênio consiste em um micronutriente essencial bem reconhecido por seu importante papel antioxidante. Níveis reduzidos deste elemento no Líquido Cefalorraquidiano (LCR) foram associados a distúrbios neurodegenerativos, em especial com a DA. Isto porque, o estresse oxidativo relacionado ao aumento do dano dos radicais livres e/ou diminuição da defesa antioxidante, tem sido proposto como um evento importante na patogênese da doença; neste sentido, terapias destinadas a reduzir a carga oxidativa celular com Selênio têm surtido potencial terapêutico e sido algo de grandes especulações.

Ademais, os receptores de Vitamina D estão presentes em neurônios e células gliais e afetam muitos processos fisiológicos no hipocampo, hipotálamo e córtex, mostrando ligação estreita com as funções do SNC. Neste sentido, a Vitamina D possui uma ampla gama de efeitos positivos à saúde, e tem demonstrado boa aplicação clínica na prevenção e tratamento de várias doenças.

Baixos níveis de Vitamina D estão ligados à demência e têm apresentado ligações estreitas com o atraso na apoptose, supressão da degeneração sináptica em hipocampo e inibição da inflamação. Estes achados indicam um potencial efeito neuroprotetor da Vitamina D e boa capacidade da mesma em retardar a progressão da DA. Além disso, pacientes com DA têm demonstrado níveis mais baixos de Vitamina D e este marco tem sido possivelmente relacionado ao acúmulo de β-amilóide (Aβ) e, portanto, desenvolvimento e evolução da DA. Desta forma, as evidências apontam a Vitamina D como um ativo potencial para prevenir e auxiliar na terapêutica da DA.

Diante desses dados, é evidente que o tratamento da doença de Alzheimer pode se beneficiar de uma abordagem integrada, combinando diferentes modalidades terapêuticas para otimizar os resultados clínicos e promover a qualidade de vida dos pacientes. Assim, deve-se sempre buscar o desenvolvimento de estratégias terapêuticas personalizadas, que levem em consideração as características individuais dos pacientes, como estágio da doença e fatores de risco específicos.

Referências Bibliográficas

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