A saúde é definida pela OMS como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.
Através dessa definição, é possível compreender que a saúde mental, durante anos negligenciada, é parte integrante da saúde e se relaciona fortemente com a saúde física e com o comportamento. Assim, revela-se essencial para o bem-estar dos indivíduos e da sociedade em geral.
A nível mundial, as perturbações psiquiátricas têm uma grande prevalência, representando um importante desafio da atualidade. A ansiedade, a depressão e o estresse são condições intrínsecas às sociedades modernas, as intervenções no estilo de vida já demonstraram ser eficazes na sua atenuação.
Intervenção nutricional: uma alternativa para cuidar da saúde mental
Os modelos de intervenção existentes no âmbito dos cuidados de saúde não conseguem, muitas vezes, responder na totalidade às complexas dimensões biológicas, sociais, culturais e espirituais das condições relacionadas à saúde mental. Por isso, torna-se necessária a exploração de novos conceitos e opções terapêuticas.
Neste sentido, a intervenção nutricional, através da prática de uma alimentação adequada e a prescrição de nutrientes suplementares, é cada vez mais considerada como uma alternativa. Afinal, determinados nutrientes exercem papel fundamental no metabolismo destes transtornos.

Nutrientes essenciais para o bem-estar e saúde mental
Alguns nutrientes como ácidos graxos, vitaminas, minerais e aminoácidos são observados em carência com maior recorrência em pacientes que sofrem de transtornos depressivos, ansiedade e estresse. Confira!
Magnésio
Boa parte das enzimas do organismo humano são dependentes de Magnésio, incluindo as enzimas cerebrais.
Assim, quando os neurônios se impossibilitam de gerar a energia necessária para ionização adequada, pode ocorrer desequilíbrio na liberação de cálcio e glutamato (que atuam na excitação do Sistema Nervoso Central). Isso pode gerar danos aos neurônios, atenuando quadros depressivos.
Outro fator importante desse nutriente é que ele é indispensável para a ligação de receptores de serotonina. Portanto, sua ação antidepressiva é baseada em sua interação com receptores serotoninérgicos, noradrenérgicos e dopaminérgicos.
Dessa forma, sabe-se que boa parte dos fármacos antidepressivos potencializam o aumento de Mg²+ cerebral. Por isso, é razoável afirmar que a suplementação desse mineral é benéfica à maioria dos pacientes deprimidos.
Zinco
Além do Magnésio, o Zinco é de grande importância para as enzimas do organismo, envolvendo-se na síntese proteica e divisão celular. Além disso, ele atua nas vesículas sinápticas de alguns neurônios e influencia positivamente no fator neurotrófico do cérebro.
O Zinco é também atuante no sistema imunológico e sua suplementação é associada a redução dos níveis de marcadores inflamatórios no corpo como, por exemplo, a interleucina-6, proteína C reativa e fatores de necrose tumoral.
Quando há altos níveis desses marcadores inflamatórios, pode-se associar o desenvolvimento de quadros depressivos.
Triptofano
É possível citar também aminoácidos, como o Triptofano, que atuam como precursores diretos de serotonina.
Afinal, a disponibilidade de serotonina depende da quantidade de triptofano disponível para ser convertido e transformado. Por isso, é necessário que a ingestão desse aminoácido seja realizada de forma adequada, para que possa atuar corretamente na fisiopatologia da depressão.
Além disso, vale ressaltar que é importante manter associada a ingestão de nutrientes responsáveis pela composição das enzimas atuantes na conversão desse aminoácido, sendo eles o Magnésio e as vitaminas do complexo B.
Vitaminas
As vitaminas do complexo B são comumente associadas à incidência de transtornos depressivos, principalmente a Vitamina B6 (Piridoxina), Vitamina B9 (Ácido Fólico) e a Vitamina B12 (Cobalamina). Isso porque elas possuem importante participação no metabolismo envolvido na síntese de neurotransmissores do sistema nervoso central.
A Vitamina B12, em especial, é essencial para o bom funcionamento cerebral. Ela é um cofator da enzima metionina sintetase, que é responsável pela produção de metionina a partir da homocisteína. Assim, um déficit de Vitamina B12 pode resultar na diminuição da síntese de metionina, afetando negativamente a mielinização, que está na origem de atrofia cerebral.
Uma meta-análise demonstrou que a administração de Vitamina B12 pode prevenir sintomas depressivos, afinal, os baixos níveis desta vitamina estão na origem de depressão maior e menor.
Outra manifestação psiquiátrica associada a este déficit é a ansiedade. Ademais, a deficiência de Vitamina B12 pode manifestar-se em outros sintomas psiquiátricos que incluem psicose, demência, apatia, irritabilidade, catatonia, delírio, alucinações e, em crianças, apatia e atraso de crescimento.

O que diz a ciência?
Pesquisadores constataram que o diagnóstico de depressão foi reduzido em 50% com a administração de Ácido Fólico diário (2mg), Vitamina B6 (25mg por dia) e Vitamina B12 (0,5mg por dia). Essa resultado foi de um estudo randomizado de sobreviventes de acidente vascular cerebral por 1 a 10,5 anos.
Vale ressaltar que a ação das Vitaminas B6, B9 e B12 estão associadas aos outros nutrientes já citados, pois elas são necessárias junto ao Magnésio na atuação de enzimas hidroxilase, a qual convertem o triptofano em serotonina.
Assim, é perceptível que os nutrientes envolvidos no combate à depressão atuam em conjunto, a fim de regular os níveis de agentes envolvidos na fisiologia da doença. Portanto, existe uma estreita relação entre deficiências nutricionais e os transtornos mentais.
Enfim, vários nutrientes atuam reduzindo processos de neurodegeneração e fornecem proteção oxidativa, sendo capazes de estimular a sobrevida dos neurônios.
A suplementação como alternativa de cuidado benéfica à saúde mental
Pensando nisso, a suplementação pode ter um papel determinante na promoção da saúde e prevenção de acometimentos mentais.
Afinal, ela se mostra uma possibilidade não apenas para o suporte do controle de recorrência e intensidade de crises, mas atua também no manejo dos efeitos colaterais, muitas vezes acarretados pelos medicamentos convencionais.
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Referências
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