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Os perigos da suplementação excessiva

Os perigos da suplementação excessiva

A suplementação é uma estratégia baseada no uso de suplementos, que são compostos por vitaminas, minerais e outras substâncias, formulados para complementar a necessidade do indivíduo em caso de insuficiências, ou para atender as condições metabólicas e fisiológicas individualizadas.

O uso destes suplementos nutricionais tem sido associado a vários benefícios, como: aumento da resistência, diminuição da gordura corporal, aumento da massa muscular, minimização do risco de doenças, restauração muscular ou aumento do desempenho durante a atividade física, entre outros. Porém, o abuso dessas substâncias não é totalmente inofensivo.

A suplementação sem acompanhamento é um erro

A prática da suplementação sem a orientação de um profissional capacitado pode comprometer a saúde, podendo levar a problemas hepáticos, sobrecarga renal, aumento da gordura corporal e desidratação.

Portanto, é necessário atentar para uma alimentação saudável e uma oferta adequada de outros nutrientes e suplementos somente sob orientação de profissional capacitado, levando em consideração o consumo calórico total e o tempo entre digestão e aproveitamento metabólico, a quantidade necessária de macronutrientes, ou seja, carboidratos, proteínas e lipídios, essenciais na manutenção ou melhora do desempenho esportivo e saúde do corpo humano em geral.

Quais os perigos da suplementação excessiva?

Estudos apontam também que a suplementação excessiva pode causar danos cardiovasculares, dores nas articulações, alterar o sistema nervoso, causar hepatites e infertilidade, além de problemas nos rins, quando o organismo não tem capacidade para suportar o excesso de proteína, por exemplo.

Além disso, arritmias, aterosclerose, hipercalemia e hipertermia também podem ocorrer devido ao consumo indevido dessas substâncias e caso não haja orientação profissional adequada.

Vitamina A

Embora rara, a hipervitaminose A é bem descrita na literatura, já que ela é vista como causa de toxicidade hepática com ampla variedade de danos hepáticos, variando desde a hipertensão portal, devido à hipertrofia e hiperplasia de células hepáticas estreladas, a variáveis graus de fibrose e cirrose.

Nesse sentido, estudos levantam a hipótese de que o metabolismo desta vitamina, os metabólitos polares, com ou sem influência ambiental, induzem o fígado à necrose celular e inflamação devido à sua ligação covalente a proteínas hepatocelulares. Assim, reforça-se a essencialidade da cautela ao se prescrever preparações contendo altas doses de vitamina A.

Vitamina B6

Diversos estudos e observações descrevem uma conexão entre overdose aguda, ou crônica, de vitamina B6 (piridoxina) e neuropatia periférica. De acordo com a literatura, as manifestações clínicas são caracterizadas por distúrbios sensoriais com presença de parestesia, dor nos membros, ataxia e incoordenação, evidenciando um comprometimento motor com presença de fraqueza muscular e até incapacidade de andar.

Entretanto, o mecanismo de neurotoxicidade da vitamina B6 não é totalmente elucidado. Acredita-se que a piridoxina inativa é metabolizada em fosfato de piridoxal ativo, atuando como uma coenzima envolvida no metabolismo de aminoácidos e intervindo, em particular, no funcionamento do sistema nervoso central.

Logo, altas dosagens desta vitamina seriam capazes de saturar as possibilidades de fosforilação da Vitamina B6, gerando um efeito competitivo entre piridoxina e fosfato piridoxal e intervindo nos locais de ligação dessa enzima, causando deficiência de piridoxal fosfato e ocasionando sintomas neurológicos semelhantes aos observados durante a falta de ingestão de vitamina B6.

A importância do acompanhamento por profissionais da saúde

As manifestações clínicas de hipervitaminoses são geralmente reversíveis com a descontinuação do tratamento e recuperação lenta nos meses após a descontinuação. Fica a importância, portanto, de que os pacientes possuam conhecimento suficiente para evitar a automedicação e sobre os perigos potenciais da ingestão vitamínica excessiva.

Diante dos riscos associados ao uso inadequado de suplementos alimentares, o acompanhamento por profissionais da área da saúde é essencial.

Cada paciente deve ser avaliado de forma individual, considerando suas necessidades fisiológicas, condições clínicas, hábitos alimentares e até fatores socioeconômicos, que podem influenciar o padrão de consumo e o acesso à informação.

Essa avaliação personalizada é imprescindível para que os suplementos atuem de forma segura e eficaz, como suporte complementar à dieta, evitando desequilíbrios nutricionais e potenciais efeitos adversos.

Referências

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SANTOS, Clistenis Clênio Cavalcante dos; SANTOS OLIVEIRA dos, Kelvin Nathan; DOS SANTOS CHAVES, Eliel. Efeitos adversos do uso inadequado de suplementos alimentares. Research, Society and Development, v. 12, n. 2, p. e12412239016-e12412239016, 2023. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/39016

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