A palavra “sedentário” em latim, “sedentarius”, significa literalmente “aquele que fica sentado” ou “que permanece no mesmo lugar”. No entanto, o sedentarismo não está associado, apenas, ao indivíduo que não pratica atividade física regular, mas, pode ser entendido como um comportamento diário caracterizado pela quantidade de tempo destinado a um conjunto de atividades que não aumentam significativamente o gasto energético em relação aos níveis de repouso ou atividades com baixo dispêndio energético.
É importante, portanto, a compreensão de que o sedentarismo não está atrelado somente à falta da prática de atividade física, mas sim, à rotina como um todo. Assim, é válido ressaltar que a tendência ao sedentarismo vem aumentando no mundo e já é responsável pelo quarto maior fator de risco de mortalidade, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O que diz a ciência sobre os impactos do sedentarismo?
Estudos epidemiológicos demonstram que a inatividade física aumenta substancialmente a incidência relativa de doença arterial coronariana (45%), infarto agudo do miocárdio (60%), hipertensão arterial (30%), câncer de cólon (41%), câncer de mama (31%), diabetes do tipo II (50%) e osteoporose (59%).
Síndrome do comportamento sedentário
Os mecanismos pelos quais o comportamento sedentário aumenta o risco de mortalidade, doenças crônicas e suas consequências constituem a síndrome do comportamento sedentário. Essa síndrome tem como premissa que a imobilização proporciona o disparo de respostas estressoras responsáveis por efeitos deletérios para a saúde.
Nesse sentido, a acumulação de efeitos nocivos resultantes do longo tempo exposto a comportamentos sedentários durante o curso da vida poderá favorecer o desencadeamento ou a exacerbação de doenças crônicas na velhice e a mortalidade precoce.
A imobilização é, portanto, considerada um mecanismo estressor, o qual diminui a utilização de glicose pelos músculos, aumentando a resistência à insulina e ocasionando a atrofia muscular e a diminuição da utilização de energia pelos músculos inativos.
A energia é realocada para o fígado, o qual aumenta a produção de lipídios, que preferencialmente são armazenados no tecido adiposo da região central do corpo. Estes adipócitos tornam-se metabolicamente ativos quando carregados de gordura e produzem moléculas inflamatórias concomitantes à redução da secreção de adiponectinas anti-inflamatórias.
Além disso, ocorre o aumento do número de macrófagos ativos que produzem citocinas pró-inflamatórias que, por sua vez, desempenham um papel importante na patogênese das dislipidemias, hipertensão arterial e doenças cardíacas.
Sarcopenia
A literatura mostra também que a prática de exercícios físicos regulares pode contribuir para a diminuição do desenvolvimento de sarcopenia. Em paralelo aos benefícios encontrados na literatura, há a observação de Santos et al. (2017), a qual refere que a atividade física pode diminuir as consequências da apoptose muscular, condição caracterizada pela redução da capacidade das fibras musculares.
Assim, a prática regular de exercícios físicos previne o declínio funcional da função musculoesquelética, fato que melhora a vida diária dos idosos e influencia diretamente no bem-estar físico dessa população.
A importância de romper com o sedentarismo
Os benefícios da atividade física não se limitam apenas aos músculos esqueléticos; eles também abrangem adaptações em outros órgãos. O exercício promove alterações no cérebro em níveis anatômicos, celulares e moleculares, desencadeando uma série de processos que podem promover diversos fenômenos fisiológicos, incluindo a angiogênese, a neurogênese, a sinaptogênese e a ativação de fatores neurotróficos que aprimoram a aprendizagem, a memória e a plasticidade cerebral.
Neste sentido, o sedentarismo é um fator de risco modificável significativo para a demência. Existe uma base sólida de evidências que indica que adultos cognitivamente saudáveis, que se engajam em níveis mais elevados de exercício e atividade física geral, apresentam um menor risco para o desenvolvimento de demência.
Além disso, embora as evidências sejam mais limitadas, existem indícios de que a prática regular de exercícios pode, possivelmente, retardar o declínio cognitivo após o estabelecimento do comprometimento cognitivo leve e da demência.
Diante de tantas evidências, não podemos negar que a atividade física (os exercícios e uma vida ativa), promovem benefícios substanciais à saúde e à qualidade de vida. Porém, o abandono do sedentarismo não é só uma decisão individual: depende do ambiente físico e social que circunda a vida de cada um.
Para mudar este quadro, políticas públicas podem ser adotadas em diferentes cidades para melhorar as estruturas já existentes e incorporar novas a serviço da população. Redes sociais, como clubes de amigos para caminhar ou pedalar, aulas de ginástica ao ar livre, ambientes propícios como as ciclovias, melhor iluminação em parques e jardins, aumentando os espaços verdes e a segurança, entre outros.
Com condições mais favoráveis, pessoas de diferentes grupos sociais podem se beneficiar sem gastos adicionais, proporcionando a todos uma melhor qualidade de vida.
Referências
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