No contexto das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), a disbiose intestinal é frequentemente um fator crítico que pode exacerbar os sintomas e impactar negativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Ela é um desequilíbrio microbiano, mas é possível empregar estratégias terapêuticas avançadas e personalizadas, focadas na restauração e manutenção da homeostase intestinal.
Impacto das DII no Brasil
Segundo um estudo conduzido por Gasparini et al., em 2018, a prevalência de DII no estado de São Paulo era de 52,6 casos por 100 mil habitantes, com uma incidência anual de 13,30 novos casos por 100 mil habitantes.
Esta taxa coloca o Brasil em uma posição comparável à Europa em termos de prevalência de DII, destacando um preocupante

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico das DII geralmente envolve uma combinação de análises clínicas, endoscópicas, radiológicas e biópsias. Embora não haja cura para as DII, os tratamentos avançados disponíveis hoje podem ajudar a controlar os sintomas e manter a doença em remissão.
Assim, os tratamentos podem incluir anti-inflamatórios, corticoides, imunossupressores e terapias biológicas. Essas opções têm mostrado resultados promissores em melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O papel dos fatores ambientais e genéticos à saúde intestinal
As DII são o resultado de uma interação complexa entre predisposição genética, imunidade e fatores ambientais como dieta e estilo de vida.
O tabagismo, por exemplo, tem sido identificado como um fator de risco significativo para a doença de Crohn. A disbiose intestinal, uma alteração da flora intestinal, também é reconhecida como um fator contribuinte para a exacerbação das DII.

A necessidade de uma ação coletiva
Dada a complexidade desses desafios, é fundamental que o manejo nutricional de pacientes com DII seja cuidadosamente planejado e monitorado por uma equipe multidisciplinar de saúde. Pois isso garante uma intervenção eficaz para melhorar a qualidade de vida desses pacientes.
Tratamentos como a terapia imunossupressora e procedimentos cirúrgicos também contribuem para complicações nutricionais, incluindo anorexia, hipoalbuminemia, anemia, balanço negativo de nitrogênio e outras deficiências vitamínicas e de nutrientes.
Desafios nutricionais comuns à saúde intestinal
Pacientes com DII frequentemente experimentam:
- Desnutrição e perda de peso: devido à má absorção de nutrientes e ao aumento do metabolismo durante os períodos inflamatórios.
- Deficiências de micronutrientes: especialmente de vitaminas solúveis em água e minerais, que são cruciais para a manutenção da função imunológica e reparação celular.
- Atraso no Crescimento: em pacientes pediátricos, a desnutrição pode impactar negativamente o crescimento e desenvolvimento.
Diretrizes nutricionais para o manejo de doenças inflamatórias intestinais
Pessoas com DII precisam adotar uma dieta variada e rica em nutrientes para ajudar a gerenciar a condição e manter a saúde geral. Portanto, durante os episódios de sintomas agudos, seguir estas orientações pode ser benéfico:
- Modere o tamanho das porções: consuma pequenas porções durante as refeições.
- Aumente a frequência das refeições: opte por refeições mais frequentes e menos volumosas.
- Ambiente tranquilo: procure comer em um ambiente calmo para auxiliar na digestão.
- Evite alimentos gatilho: identifique e evite alimentos que exacerbam os sintomas.
- Cuidado com fibras insolúveis: limite o consumo de sementes, grãos integrais, vegetais folhosos, frutas laxativas e farelo de trigo.
- Reduza gorduras: diminua a ingestão de alimentos gordurosos ou fritos para facilitar a digestão.
Bebidas Recomendadas:
- Água pura;
- Água de coco;
- Sucos de frutas diluídos.
Bebidas a Evitar:
- Bebidas muito geladas, que podem causar cãibras;
- Café, chá e outras fontes de cafeína, pois podem estimular o intestino e causar diarreia.
A água desempenha funções cruciais no organismo, como hidratar tecidos, lubrificar articulações, proteger órgãos vitais e auxiliar na prevenção de constipação. Assim, a quantidade ideal de água a ser consumida varia conforme o nível de atividade física, o clima e as condições de saúde individuais.

Os benefícios da suplementação à saúde intestinal
A suplementação pode ser uma estratégia valiosa para combater esses desafios. Elementos como o metilfolato, o complexo de vitaminas B, Vitamina D e minerais como o zinco e o magnésio são essenciais para restaurar e manter a função intestinal adequada.
A seguir, detalhamos como alguns desses nutrientes ajudam no manejo da DII:
Vitamina D
1. Essencial para a saúde óssea e para o processamento do cálcio. Muitas pessoas com DII, particularmente aquelas com doença de Crohn, podem ter deficiência desta vitamina devido a problemas de absorção.
Metilfolato
2. Importante para pacientes que utilizam medicamentos antiinflamatório, imunossupressores, antimetabólito e antifolato, interferir na absorção deste nutriente. Mulheres grávidas com DII também devem prestar atenção especial ao ácido fólico para prevenir complicações no desenvolvimento fetal.
Vitamina B12
3. Importante para pacientes cuja doença afeta o íleo ou aqueles que sofreram cirurgias significativas no intestino. Esses pacientes podem ter dificuldades na absorção adequada desta vitamina a partir da dieta.
Ferro
4. Comum em pacientes que experimentam perda de sangue devido à inflamação intestinal, que pode levar à anemia. O uso de suplementos de ferro deve ser cuidadosamente monitorado para evitar a toxicidade.
Zinco
5. Indicado para pacientes com doença extensiva no intestino delgado ou aqueles com síndrome do intestino curto. A deficiência de zinco pode levar a vários problemas, incluindo dificuldades na cicatrização de feridas e alterações no paladar e no olfato.
Atenção! Este conteúdo não substitui a orientação médica profissional
Embora nosso objetivo seja fornecer informações valiosas e insights sobre a saúde e bem-estar, é fundamental entender que o conteúdo apresentado neste blog não substitui o aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. A saúde é um aspecto profundamente pessoal e complexo, que varia significativamente de indivíduo para indivíduo, exigindo a atenção e o cuidado de profissionais qualificados.
Se você tem preocupações sobre sua saúde, está considerando iniciar qualquer nova suplementação, ou tem questões específicas relacionadas à sua condição de saúde, é essencial procurar a orientação de um médico ou outro profissional de saúde qualificado. Somente um profissional pode avaliar adequadamente suas necessidades de saúde, oferecer diagnósticos precisos e recomendar tratamentos baseados em evidências científicas e em sua situação específica.
Lembre-se de que a auto-suplementação, especialmente em casos de deficiências severas ou condições de saúde subjacentes, pode levar a efeitos adversos ou interações medicamentosas. Portanto, antes de fazer alterações na sua rotina de saúde ou suplementação, discuta suas intenções com um profissional de saúde que possa fornecer orientações personalizadas e seguras.
A saúde é uma jornada contínua, e a orientação médica profissional é uma parte essencial desse processo. Valorizamos o seu bem-estar e encorajamos uma abordagem proativa na busca por saúde e felicidade, sempre com o apoio de profissionais confiáveis.
Referências:
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