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Medicina Integrativa: atualizações e desafios

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Medicina Integrativa: atualizações e desafios

A Medicina Integrativa surgiu no início do século XXI, buscando associar os modelos médicos e tratar os pacientes, não só de maneira convencional, mas também com uma abordagem alternativa, tratando a pessoa como um todo e não apenas a doença.

Inicialmente, a Medicina Integrativa era identificada apenas como práticas alternativas em saúde (yoga, meditação e terapia de florais, por exemplo). No entanto, no início da década de 2000, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu esse ramo médico como um conjunto de práticas em saúde multicultural que entende o paciente de maneira integral para atuar na promoção da saúde, prevenção e recuperação.

Medicina Integrativa é a mesma coisa que Medicina Alternativa?

É fundamental distinguir a medicina integrativa da medicina alternativa ou complementar, bem como da medicina tradicional, visto que a medicina integrativa não pode ser aplicada como um sinônimo aos outros termos.

Por isso, enquanto a medicina alternativa ou complementar e a medicina tradicional vinculam-se a práticas terapêuticas que podem ser utilizadas como complementares à medicina convencional, a medicina integrativa amplia a visão de saúde, tendo como alicerce princípios que direcionam o foco dos atendimentos clínicos à saúde e à cura dos indivíduos.

Ademais, sob a ótica da medicina integrativa, é significativo compreender o estilo de vida dos indivíduos, uma vez que, a partir dessa premissa, torna-se possível solidificar a construção da medicina preventiva levando-se em consideração fatores como dieta, atividade física, qualidade de descanso e sono, bem como o âmbito dos relacionamentos.

Nesse sentido, diz-se que a instauração da medicina integrativa se identifica, fortemente, com discussões relativas à integralidade do cuidado, humanização das relações interpessoais, consolidação de evidências científicas e, por fim, com mudanças na educação em saúde.

O que diz a ciência sobre a Medicina Integrativa?

Nos últimos estudos publicados, pode-se dizer que a aplicabilidade da medicina integrativa teve seu predomínio em doenças crônicas, na tentativa de amenizar os sintomas físicos e mentais e de fornecer um suporte holístico aos pacientes, de forma a entendê-los como um todo, sem dissociar corpo, mente e espírito.

Assim, no geral, as formas terapêuticas integrativas apresentaram um resultado satisfatório, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de resiliência para o enfrentamento dos problemas de saúde dos pacientes. Da mesma forma, a nutrição apresentou importância significativa dentre os processos integrativos aplicados, tendo como base a suplementação e dietas específicas para o manejo de determinadas doenças.

Com isso, enfatiza-se, sobretudo, o uso de vitaminas, minerais e outros suplementos, bem como a recomendação de alimentos específicos ricos em antioxidantes, com o intuito de fortalecer, nutricionalmente, os pacientes.

Ademais, destaca-se a implementação de terapias integrativas em pacientes oncológicos, sobretudo naqueles em tratamento quimioterápico, a fim de melhorar a qualidade de vida e de reduzir os efeitos adversos associados.

Em estudos sobre a Síndrome do Ovário Policístico (SOP), as implicações da medicina integrativa apresentaram efeitos, principalmente, quanto às intervenções nutricionais. Dessa maneira, as vitaminas do grupo B, D, E e K e ácido fólico receberam destaque no papel biológico envolvido nas características metabólicas e reprodutivas da SOP.

Assim, o uso de suplementos como bioflavonoides, carnitina e ácido alfa-lipóico apresentou propriedade antioxidante atuante no metabolismo de ácidos graxos e glicose, enquanto minerais, como cálcio, zinco, selênio, magnésio e picolinato de cromo relacionam-se à sensibilização de insulina e a propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, e a suplementação de cálcio e vitamina D melhorou os perfis lipídicos e androgênicos.

Faculdades de medicina de todo o mundo estão aderindo à implementação da medicina integrativa no currículo acadêmico, a fim de promover maior conscientização sobre o uso das práticas incluídas nessa área, bem como identificar segurança e eficácia quando essas passam a ser aplicadas no âmbito da medicina convencional.

Entretanto, ainda existem lacunas nesse campo do conhecimento, o que faz com que os profissionais apresentem incertezas e resistência à aplicação dos métodos integrativos, relacionadas à ausência de um embasamento científico adequado, bem como à falta de clareza nas políticas públicas e na divulgação das informações.

A aplicação clínica da medicina integrativa deve ser realizada em conjunto com a medicina convencional, a fim de transcender o diagnóstico baseado somente nas doenças e na sintomatologia dos pacientes, com o objetivo de proporcionar uma melhor qualidade de vida, por meio dos princípios de prevenção e promoção à saúde.

Referências

ADIERS, Nathália Raquel; DA SILVA BRANDÃO, Milena; STROHSCHOEN, Andreia Aparecida Guimarães. Abordagem terapêutica da medicina integrativa na prática clínica: revisão integrativa. Revista Destaques Acadêmicos, v. 16, n. 3, 2024. Disponível em: https://univates.br/revistas/index.php/destaques/article/view/3896

DA SILVA, José Roberto Mateus et al. Medicina integrativa no brasil: Revisão crítica das definições e aplicações. Research, Society and Development, v. 14, n. 8, p. e4514849356-e4514849356, 2025. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/49356

OTANI, Márcia Aparecida Padovan; BARROS, Nelson Filice de. A Medicina Integrativa e a construção de um novo modelo na saúde. Ciência & saúde coletiva, v. 16, p. 1801-1811, 2011. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/csc/2011.v16n3/1801-1811/pt

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