O envelhecimento da população mundial pode ter como consequência o aumento da prevalência e da incidência de doenças crônicas e neurodegenerativas.
Atualmente, estima-se que existam 50 milhões de pessoas acometidas por alguma forma de demência no mundo e 10 milhões de novos diagnósticos por ano. Desses, cerca de 60% são devidos à Doença de Alzheimer (DA), de forma que se espera haver cerca de 150 milhões de pessoas com demência devida à DA em 2050.
No Brasil, estima-se que existam cerca de 1,7 milhões de idosos com demência, com uma prevalência de aproximadamente 1.036/100.000 habitantes.
Como acontece a Doença de Alzheimer?
A principal hipótese estabelece que o processo degenerativo na DA é desencadeado pela hiperprodução e/ou diminuição do clearance. Consequentemente, há o acúmulo do peptídeo beta-amiloide (Aβ) nos tecidos cerebrais acometidos, bem como de emaranhados neurofibrilares (ENFs) de proteína tau; acompanhado por alterações homeostáticas que levam ao colapso do citoesqueleto neuronal.
Nas fases iniciais, encontram-se depósitos das placas neuríticas (ou senis) de peptídeo beta-amiloide entre os neurônios corticais. Esse acúmulo provoca perda das conexões entre os neurônios, diminuindo a eficácia das sinapses.
Isso já pode ocorrer cerca de duas décadas antes do início dos sintomas demenciais. Com a evolução da doença, passam a ser encontrados os emaranhados neurofibrilares intracelulares, compostos de proteína tau hiperfosforilada.

A suplementação como possibilidade de tratamento
O tratamento da DA visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes por meio de abordagens farmacológicas, mas a suplementação tem demonstrado resultados promissores.
Estudos indicam, por exemplo, uma relação entre distúrbios cognitivos e hipovitaminose D. Nesse sentido, pessoas idosas com hipovitaminose D apresentam um risco maior de declínio cognitivo, e isso está correlacionado a um aumento de quase três vezes do risco de desenvolver Doença de Alzheimer.
A vitamina D mostrou-se capaz de reverter alterações inflamatórias no hipocampo associadas à idade, além de atenuar o acúmulo de peptídeo beta-amiloide por meio da fagocitose e proteger contra a neurotoxicidade do glutamato, tendo papel antioxidante.
Desta forma, a manutenção de níveis elevados de vitamina D pode ser importante para evitar alterações neurológicas com o avançar da idade.
A importância da Vitamina B12 para o manejo do Alzheimer
A vitamina B12 (cobalamina) é importante para o metabolismo celular, mitocondrial e para a manutenção da saúde neuronal. Assim, ela é capaz de evitar o estresse oxidativo induzido pela inflamação, modulando a produção de citocinas, de fatores de crescimento e de TNF-α.
O envolvimento da neuro-inflamação desempenha um papel fundamental na progressão da Doença de Alzheimer. Desse modo, uma importante ação da vitamina B12 está intimamente ligada à DA, uma vez que ela é cofator essencial de metionina sintetase, que converte homocisteína em metionina, levando à redução do estresse oxidativo induzido pela homocisteína.
Portanto, a deficiência de vitamina B12 restringe essa conversão, induzindo a um aumento do nível de homocisteína intracelular. Este fato pode ser significativo em adultos idosos, nos quais os níveis elevados de homocisteína, associados aos baixos níveis de vitamina B12, podem levar à atrofia cerebral acelerada e comprometimento cognitivo clínico incidente.

Outros elementos importantes para o manejo da Doença de Alzheimer
Ácido α-Lipóico (α-LA)
O ácido α-lipóico (α-LA) é um antioxidante abrangente que protege as células nervosas da neurotoxicidade causada pelo peptídeo beta-amiloide. Assim, ele preserva as habilidades cognitivas em pacientes com Doença de Alzheimer.
Ainda, regula os níveis de glutationa, auxiliando na prevenção do dano oxidativo na doença. Estudos mostram que a terapia com α-LA, em combinação com outras drogas, pode ter um efeito sobre as funções cognitivas e retardar a progressão da demência em pacientes com Doença de Alzheimer, apoiando seu uso como adjuvante no tratamento de doenças neurodegenerativas.
Curcumina
A curcumina é um polifenol extraído do rizoma da Curcuma longa, que apresenta diversas propriedades, entre elas, a modulação de vários alvos moleculares. Esse mecanismo pode exercer efeitos benéficos sobre as características patológicas da Doença de Alzheimer.
Além disso, este efeito multifatorial da curcumina é mediado pela interação com diversas moléculas de sinalização celular, como citocinas pró-inflamatórias, proteínas apoptóticas, fatores de transcrição e diversas enzimas.
Estudos recentes demonstraram que a curcumina reduz a alta expressão de ApoE4 e a liberação excessiva de fatores inflamatórios, reduz significativamente a expressão de proteínas marcadoras de estresse do retículo endoplasmático e alivia a neuro-inflamação no cérebro de camundongos transgênicos para ApoE4. Desta forma, ela melhora o aprendizado e a capacidade cognitiva nestes animais.
Enfim, a curcumina é capaz de modular os depósitos de peptídeos Aβ, diminuindo a sua toxicidade, sugerindo o uso potencial deste composto como agente profilático e terapêutico para a Doença de Alzheimer.

Melatonina
A melatonina é responsável por regular o ritmo circadiano e é sintetizada, principalmente, na glândula pineal a partir de seu precursor serotonina. A sua produação diminui em indivíduos idosos e é um fator significativo que pode contribuir para a evolução de doenças neurodegenerativas relacionadas à idade.
Além disso, a sua secreção diminui gradualmente com a progressão da Doença de Alzheimer, podendo, assim, ser considerada como possível biomarcador para a doença. Esta diminuição na secreção sugere, também, que a sua produção pode estar positivamente relacionada com a promoção da neuroproteção.
A melatonina pode atuar, também, no aumento da neurogênese e promoção da plasticidade sináptica em células-tronco neurais mediadas pelo fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e na supressão da geração dos peptídeos amiloidogênicos pela inibição da β e da γ-secretases.
Nesse sentido, estudos demonstraram as múltiplas funções da melatonina como regulador de enzimas antioxidantes e pró-oxidantes, sequestrador de radicais livres e antagonista de formação de radicais mitocondriais.
Ademais, há as propriedades anti-inflamatórias que permitem que ela proteja as células de danos inflamatórios em doenças neurodegenerativas. Esta propriedade pode ser especialmente vantajosa no combate à neuro-inflamação da Doença de Alzheimer
O que diz a ciência?
Um estudo realizado por Cardoso & Paiva (2017), verificou os antioxidantes e sua ação protetora de danos oxidativos que podem surgir como causa ou consequência da demência.
Apesar de não haver evidência de que a suplementação de vitamina E melhore a função cognitiva na DA, pode ocorrer um atraso do declínio funcional.
Além disso, as vitaminas do complexo B têm demonstrado associação com a saúde neuronal, intervindo nas suas vias metabólicas, relacionando há um menor risco de demência. E, por fim, que as baixas concentrações de Selênio sérico estão relacionadas com a perda cognitiva conforme a idade.
Se considerarmos as modificações metabólicas que prejudicam a absorção de micronutrientes, incluindo o Selênio, o cérebro pode correr o risco de sofrer estresse oxidativo, promovendo o aparecimento de doenças como a DA.
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