No cenário global da saúde pública, a obesidade, uma condição crônica e progressiva, afeta profundamente a saúde e o estilo de vida dos indivíduos, sendo a cirurgia bariátrica uma possível intervenção no manejo dessa condição.
A complexa etiopatogenia da obesidade envolve fatores genéticos, sociais e ambientais, resultando em um desequilíbrio persistente entre o gasto energético e a ingestão calórica.
Ainda, essa condição é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, doenças musculoesqueléticas e alguns tipos de câncer, como mama e próstata.
Tratamentos para obesidade
A primeira linha de tratamento inclui modificações no estilo de vida, com dietas hipocalóricas e com baixo teor de gordura, além do aumento da atividade física.
Entretanto, o controle do peso a longo prazo está associado a elevadas taxas de falhas, falta de adesão e abandono por parte dos pacientes.
Nesse sentido, percebe-se a relevância da cirurgia bariátrica, a qual se mostra promissora enquanto terapia para a perda de peso a longo prazo e para redução de comorbidades e mortalidade por obesidade.
Depois da bariátrica, o que acontece?
Após a cirurgia bariátrica, os riscos nutricionais potenciais podem ser atribuídos a uma série de causas. Dadas as implicações das alterações anatômicas e fisiológicas, a ingestão alimentar e consequente absorção de nutrientes pode ser drasticamente afetada.
As complicações nutricionais mais comuns pós-operatórias são as deficiências de Ferro, Vitamina B12, Cálcio, Vitamina D, Ácido Fólico, Cobre e Zinco.

Vitaminas e minerais afetados pelas complicações nutricionais no pós bariátrica
Vitamina D
A absorção de vitamina D ocorre principalmente no jejuno e íleo, por difusão passiva, sendo necessário a presença da bile.
Entretanto, a alteração da anatomia gastrointestinal retarda o encontro do alimento com a bile e enzimas pancreáticas, que acontece apenas no jejuno distal, alterando a absorção dessa vitamina.
Como consequência, a falta crônica deste nutriente pode causar redução da densidade mineral óssea e do remodelamento ósseo.
Cálcio
Além da vitamina D, o cálcio é outro nutriente envolvido com o metabolismo ósseo e que pode ter a absorção afetada pela cirurgia bariátrica, independentemente dos níveis da vitamina D.
Vitamina B1
Ademais, a cirurgia bariátrica também pode afetar a absorção de vitamina B1, envolvida no metabolismo energético e na síntese de ácidos nucleicos, sendo a sua falta associada a condições clínicas como beribéri, neuropatias, encefalopatia de Wernicke e síndrome de Korsakoff.
Essa deficiência geralmente acontece nos 6 primeiros meses de pós-operatório, usualmente decorrente de casos de hiperemese, o que afeta a absorção da tiamina independentemente da suplementação oral.
Outros fatores que impactam na concentração de vitamina B1 em pacientes bariátricos é nutrição parenteral prolongada, abuso de álcool e baixa ingesta alimentar.
Vitamina B12
Outros nutrientes importantes afetados pela cirurgia bariátrica são a vitamina B12 e o folato (B9). Mais de 1/3 dos pacientes submetidos ao procedimento, que não recebem suplemento de cobalamina, apresentam deficiência vitamínica; sendo o mecanismo principal a redução da secreção de fator intrínseco pelas células parietais da mucosa gástrica, consequente da gastrectomia feita na técnica operatória, o que altera a absorção da vitamina B12.
Além desse mecanismo, há a acloridria gástrica e a diminuição da ingesta dietética. Consequentemente, a deficiência de cobalamina está associada a anemia megaloblástica, além de sintomas neurológicos e gastrointestinais.
Folato
No caso do folato, a absorção ocorre principalmente no jejuno proximal e sua deficiência altera a divisão celular e síntese proteica, resultando em anemia megaloblástica e alterações medulares.
Essa é outra complicação possível da cirurgia bariátrica, sendo decorrente da depleção dos estoques teciduais por ingesta inadequada, alteração fisiológica da alteração da anatomia.
Ademais, o comprometimento absortivo pela hipocloridria, pH intestinal alterado e a não aderência a terapias multivitamínicas pós-operatórias.
Além das vitaminas hidrossolúveis, as lipossolúveis também podem estar diminuídas após o procedimento, estando relacionadas com as técnicas disabsortivas. Entretanto, possuem baixa incidência e raramente possuem manifestações clínicas.
Minerais importantes
A absorção de minerais é afetada pela cirurgia por diversos mecanismos, entre os quais podemos citar: diminuição da secreção de HCl no estômago; diminuição da superfície absortiva (duodeno e jejuno proximal); administração de bloqueadores H2 ou inibidores da bomba de prótons; ingesta reduzida de alimentos ricos em ferro por restrição calórica e intolerância ao alimento; ressecção gástrica que diminui a redução do íon ferro.
Outros minerais afetados são o cobre, o zinco e o selênio. A cirurgia bariátrica é a principal causa de deficiência adquirida de cobre.
Por outro lado, a deficiência de zinco muitas vezes está presente antes da cirurgia, pois está relacionada com a síndrome metabólica.
Ainda, o selênio é outro importante micronutriente que pode estar diminuído em casos de obesidade mórbida, tendo redução também após a bariátrica.
Então, como lidar com as complicações nutricionais da bariátrica?
Em suma, a cirurgia bariátrica é uma intervenção que pode ser eficaz como tratamento da obesidade. Porém, traz consigo os déficits nutricionais, que podem desencadear inúmeras disfunções, como hiperparatireoidismo secundário e osteomalácia na falta de vitamina D; anemia ferropriva, decorrente da diminuição de ferro; anemia megaloblástica, quando da carência de vitamina B12; a falta de cálcio pode acarretar uma osteopenia que, se não tratada, pode levar a casos de osteoporose.
Dessa forma, é crucial implementar estratégias de prevenção e intervenção para minimizar essas deficiências.
Assim, recomenda-se uma suplementação adequada, monitoramento nutricional regular e orientação individualizada, tanto no pré como no pós-operatório.
Por isso, a suplementação correta, a aderência e compreensão do paciente é fundamental para garantir uma recuperação bem-sucedida e minimizar os riscos à saúde dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
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