Setembro é o mês mundial de conscientização sobre Alzheimer, uma campanha internacional para ampliar a informação sobre a demência e combater o estigma que ainda existe em torno da condição.
A Doença de Alzheimer (DA) tem se consolidado como um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, refletindo o envelhecimento global da população. Assim, com sua prevalência crescente, a DA se tornou a principal causa de demência, caracterizando-se pela perda progressiva de memória, funções cognitivas e habilidades motoras, comprometendo drasticamente a qualidade de vida dos indivíduos afetados.
Além do impacto psicológico e social, a doença acarreta elevados custos econômicos, tanto para os pacientes quanto para os sistemas de saúde, devido à necessidade de cuidados contínuos e especializados.
Estudos científicos sobre a Doença de Alzheimer
O avanço da pesquisa científica tem sido crucial para entender a fisiopatologia da DA e, consequentemente, para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e inovadoras que possam retardar sua progressão e melhorar o prognóstico dos pacientes.
A patogênese da Doença de Alzheimer é complexa, envolvendo múltiplos fatores genéticos, ambientais e bioquímicos que contribuem para a formação de placas de amiloide e emaranhados de tau no cérebro, além de distúrbios no metabolismo neuronal e inflamação crônica.
Por isso, a identificação precoce e a compreensão dos mecanismos subjacentes são fundamentais para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, capazes de intervir diretamente na causa da doença e não apenas em seus sintomas.
Como é feito o diagnóstico da DA?
O diagnóstico da DA ainda é baseado em critérios clínicos, como testes neuropsicológicos, exames de imagem e biomarcadores, mas as novas abordagens têm explorado a utilização de tecnologias mais avançadas, como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a análise de líquidos corporais, que possibilitam uma detecção precoce e mais precisa das alterações cerebrais.
Além disso, novas descobertas têm apontado para a importância da modulação genética e epigenética, bem como do papel de fatores de risco modificáveis, como a dieta, o exercício físico e o controle das comorbidades, como diabetes e hipertensão, no desenvolvimento da doença.
E o tratamento da Doença de Alzheimer?
O tratamento da Doença de Alzheimer continua sendo um desafio significativo. Embora não haja cura até o momento, as abordagens terapêuticas têm evoluído, com foco na melhora dos sintomas e na desaceleração da progressão da doença.
Assim, ao abordar fatores genéticos, hereditários e influências na saúde que podem retardar os efeitos do mal de Alzheimer, pesquisas destacam a importância dos nutrientes e suplementos na prevenção da DA. Essa abordagem busca não apenas tratar os sintomas, mas também promover a regeneração celular e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, representando uma contribuição significativa para o campo da prevenção e tratamento da doença de Alzheimer.
Nutrientes importantes para o tratamento da DA
Neste sentido, o magnésio é crucial para o funcionamento neuronal adequado, participando de inúmeras reações enzimáticas no cérebro, incluindo a modulação dos receptores de glutamato, o principal neurotransmissor excitatório no sistema nervoso central. Além disso, o magnésio também está envolvido na estabilização das membranas neuronais, na redução do estresse oxidativo e na melhora do fluxo sanguíneo cerebral, aspectos importantes na manutenção da saúde cognitiva.
Por sua vez, a vitamina B12 desempenha um papel igualmente importante, sendo fundamental para a síntese de neurotransmissores e para a manutenção da integridade da bainha de mielina, a camada que isola e protege os nervos. A deficiência de vitamina B12 tem sido associada a distúrbios cognitivos, depressão e degeneração do sistema nervoso central (pelo acúmulo de homocisteína e 5-metil-THF), todos os quais estão frequentemente presentes em pacientes com Alzheimer.
Estudos científicos sobre a importância dos nutrientes para o tratamento da DA
O estudo de Chen et al. (2021), randomizado, simples-cego e controlado por placebo avaliou os efeitos da suplementação combinada de ácido fólico e vitamina B12 no desempenho cognitivo e na inflamação em pacientes com doença de Alzheimer (DA).
Após 6 meses, os resultados mostraram que esta suplementação foi associada a um efeito terapêutico positivo, melhorando tanto os marcadores cognitivos quanto inflamatórios em pacientes com DA, especialmente aqueles que não estavam em uma dieta fortificada com ácido fólico, o que reforça a importância da intervenção nutricional no manejo da doença de Alzheimer e na prevenção da demência.
Outros estudos demonstram, ainda, que participantes submetidos à suplementação multivitamínica apresentaram melhora na memória imediata testada pelo método ModRey (uma tarefa de recall de palavras de 20 itens medindo a memória episódica). Assim, uma suplementação multivitamínica é promissora como uma abordagem segura e acessível para manter a saúde cognitiva na velhice.
Em suma, as abordagens terapêuticas para a prevenção da progressão da doença de Alzheimer devem possuir uma abordagem multifacetada e integrada para lidar com a complexidade dessa condição neurodegenerativa progressiva. No âmbito nutricional, estudos exploram a prevenção da DA por meio de abordagens nutricionais e de suplementação, destacando a importância de nutrientes como vitaminas e minerais.
Referências
DA CUNHA, Ana Paula Gomes et al. Efeitos da suplementação de ômega 3, magnésio e vitamina B12 no estado mental em idosos com Alzheimer: um estudo transversal. Nutrição Brasil, v. 23, n. 4, p. 1134-1141, 2024. Disponível em: https://ojs.atlanticaeditora.com.br/index.php/Nutricao-Brasil/article/view/284
DE OLIVEIRA, Gabriela Cruz et al. Abordagens terapêuticas na prevenção da progressão da doença de Alzheimer: uma revisão sistemática e meta-análise. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 2, p. 1211-1227, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/1480
MARINHO, Dejamar Vinícius Dias et al. A influência dos determinantes nutricionais sobre o Alzheimer: uma mini revisão de literatura. Revista Educação em Saúde, v. 11, p. 30-36, 2023. Disponível em: https://revistas.unievangelica.edu.br/index.php/educacaoemsaude/article/view/7199





