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Vitamina D: riscos da hipervitaminose

Vitamina D: riscos da hipervitaminose

A vitamina D é um importante hormônio para a regulamentação da homeostase do cálcio do corpo, e seu grande valor terapêutico vem sendo amplamente reconhecido nos últimos anos. Porém. muitas vezes a falta de conhecimento e/ou orientação inadequada de seu uso pode levar a casos de toxicidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doses seguras para a administração com o objetivo de correção da deficiência de vitamina D é de 50.000 Unidade Internacionais (UI) por semana. Para uso diário, a dose usual varia de 4.000 a 2.000UI, devendo ser levadas em consideração a idade e as condições clínicas do paciente.

Entretanto, evidências recentes mostraram que o tratamento parece ser seguro em doses de até 10.000UI/dia, fornecendo concentrações de calcidiol (25(OH)D) abaixo dos níveis associados com toxicidade.

Como acontece a intoxicação por vitamina D?

A intoxicação pode se desenvolver após o uso não monitorado de suplementos (exógeno) ou também pode ser uma manifestação de produção excessiva de calcitriol em alguns distúrbios (endógenos), como doenças granulomatosas ou linfomas coexistentes.

Os sintomas característicos na intoxicação aguda são confusão, polidipsia, poliúria, anorexia, vômitos e fraqueza muscular. A intoxicação crônica pode causar nefrocalcinose (cálculos renais), desmineralização óssea e até dor.

Ainda, estudos trazem que a hipercalcemia, hipercalciúria, elevação das enzimas hepáticas, disfunção renal, declínio na taxa de filtração glomerular e nefrolitíase também são eventos adversos evidenciados pela ingestão de altas dosagens de vitamina D.

Outros efeitos colaterais prejudiciais como neuropsiquiátricos, gastrointestinais e cardiovasculares foram evidenciados. A calcificação vascular é um distúrbio complexo dos vasos sanguíneos que é caracterizada principalmente pela deposição de cálcio ao longo das paredes vasculares.

Assim, os mecanismos pelos quais altas doses de vitamina D ou seus derivados induzem calcificação vascular incluem um aumento no cálcio sérico e fosfato. No entanto, ainda faltam evidências para explicar claramente o mecanismo.

E como é possível identificar a hipervitaminose de vitamina D?

O diagnóstico precoce da intoxicação requer uma história clínica e medicamentosa detalhada. A intoxicação exógena por sobredosagem de vitamina D pode ser diagnosticada por concentrações acentuadamente elevadas de calcidiol [25(OH)D (>150 ng/mL)], acompanhadas de hipercalcemia e hipercalciúria graves e por atividade muito baixa ou indetectável do paratormônio (PTH). Sendo que, em um paciente hipercalcêmico, a hiperfosfatemia sugere intoxicação de vitamina D, enquanto a hipofosfatemia sugere hiperparatireoidismo primário.

O tratamento da hipervitaminose D envolve redução da ingesta de cálcio ou da vitamina D (por suplementação), reposição hídrica com correção de desidratação, podendo ser adicionado corticoterapia e diuréticos de alça com intuito de reduzir os níveis séricos de cálcio. Em casos graves, pode ser necessário uso de bifosfonatos.

Em contrapartida discute-se, em contextos clínicos específicos, a utilização de doses elevadas como estratégia adjuvante para controle de inflamação, alívio de sintomas e possível melhora de desfechos relacionados a doenças crônicas. Em relação à eficácia, a literatura apresenta resultados heterogêneos, variando conforme população, desfechos observados, baseline de 25-hidroxivitamina D e duração do acompanhamento.

Mas a hipervitaminose D é somente um problema?

De acordo com ensaios clínicos e revisões de alta qualidade metodológica, existem benefícios pontuais em condições específicas, enquanto outros estudos não identificam superioridade clara de estratégias de altas doses frente à suplementação convencional.

Assim, esse panorama reforça a necessidade de contextualizar qualquer protocolo dentro de critérios de indicação, estratificação de risco e monitoramento laboratorial periódico, especialmente do 25(OH)D sérico, cálcio e função renal.

O risco aumenta com esquemas de megadoses repetidas, uso concomitante de cálcio sem controle, predisposição a nefrolitíase e presença de comorbidades que alterem o metabolismo mineral. Portanto, recomenda-se prudência na prescrição, evitando generalizações, e incorporando avaliação clínica individual, histórico medicamentoso e potenciais interações.

Além do risco de toxicidade, há incertezas sobre a janela terapêutica ótima e sobre a relação dose-resposta em subgrupos com polimorfismos do receptor de vitamina D. Tais variáveis genéticas podem influenciar sensibilidade tecidual, exigindo cautela na extrapolação de resultados e apontando para a necessidade de pesquisas que incorporem estratificações genômicas e fenotípicas.

Em síntese, o uso de vitamina D em altas doses permanece uma fronteira entre a prática clínica integrativa e a medicina baseada em evidências. Há racional biológico e alguns achados clínicos encorajadores, porém a consistência dos resultados ainda é irregular.

Nesse sentido, a adoção de estratégias intensivas deve ser reservada a contextos definidos, com monitoramento laboratorial e clínico de perto, até que ensaios multicêntricos, com amostras amplas e desfechos clínicos relevantes, estabeleçam protocolos claros de eficácia e segurança.

Referências

DA SILVA PANTOJA, Jeiciely et al. Eventos adversos associados ao uso excessivo de vitamina D: revisão sistemática. Research, Society and Development, v. 12, n. 6, p. e3212641994-e3212641994, 2023.

https://rsdjournal.org/rsd/article/view/41994

FAUSTINO, Adriano. Vitaminas em altas doses na medicina integrativa e oncologia: evidências e perspectivas sobre vitamina c, vitamina b12 e vitamina d. International Blest Scientific, v. 1, n. 02, 2025.

https://iblestscientific.com/ojs/index.php/iblestscientific/article/view/23

MAGALHÃES, Kelson De Almeida et al. Efeitos do uso excessivo de suplementos à base de vitamina d: uma revisão narrativa de literatura. 2023.

https://dspace.ufdpar.edu.br/handle/prefix/480

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