De acordo com o último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5), o que é genericamente denominado “depressão” é, na verdade, um conjunto de transtornos do humor, os quais, em comum, apresentam sintomas como humor triste, vazio ou irritável, e alterações somáticas ou cognitivas que afetam a funcionalidade habitual de seus acometidos.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a prevalência da depressão no Brasil pode atingir 15,5%, estando situada como a 4ª maior causa de ônus econômico devido a adoecimento.
Dentre as etiologias temperamentais, ambientais, genéticas e fisiológicas dos transtornos depressivos, observou-se que níveis baixos de magnésio podem se associar a doenças neurológicas, como a depressão. Nesse sentido, o magnésio é um elemento orgânico importante para o homeostático funcionamento do corpo humano, relacionado a diversos processos fisiológicos, como o do sistema cardiovascular e osteoarticular.
A importância do magnésio para o organismo
Uma das funções mais relevantes do magnésio é sua participação na síntese de serotonina, um neurotransmissor fundamental na regulação do humor. A serotonina exerce suas ações interagindo com receptores específicos nas células nervosas, conhecidos como receptores serotoninérgicos. Assim, o magnésio influencia a sensibilidade desses receptores, tendo respostas significativas para pacientes com depressão.
Entre as atividades neuronais, o magnésio participa na função de uma série de hormônios e neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, na fluidez da membrana neuronal. Esse mineral tem a capacidade de antagonizar os receptores NMDA (N-metil-D-aspartato), que são importantes na regulação da plasticidade sináptica e na resposta ao estresse oxidativo.
Portanto, níveis adequados de magnésio são essenciais à transmissão eficiente de sinais nervosos e para a manutenção da saúde neuronal.
Outro aspecto significativo é o seu efeito no aumento do BDNF, uma proteína vital para a sobrevivência e crescimento dos neurônios, plasticidade cerebral e a formação de novas conexões neurais. Esses processos são essenciais para a adaptação do cérebro às mudanças e para a preservação da saúde mental.
O consumo adequado de magnésio também está relacionado a níveis mais baixos de marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa, o que sugere um efeito anti-inflamatório do mineral. Essa capacidade do magnésio de reduzir a inflamação de baixo grau é relevante, pois esta condição pode resultar em um desequilíbrio nos neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e noradrenalina, essenciais para o equilíbrio emocional e o funcionamento cognitivo.
Desse modo, a inflamação crônica pode levar à ativação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), o que eleva os níveis de cortisol que, em excesso, pode ter efeitos negativos no cérebro, incluindo a redução da neurogênese e a diminuição da plasticidade sináptica, podendo contribuir para o desenvolvimento e a progressão de distúrbios do humor, como a depressão.
Ademais, o magnésio regula a atividade dos transportadores de serotonina, proteínas responsáveis pela recaptação da serotonina do espaço sináptico após a transmissão do sinal, influenciando sua disponibilidade e duração de ação nos circuitos cerebrais.
O que dizem os estudos sobre a suplementação de magnésio?
Estudos clínicos têm demostrado que a suplementação de magnésio pode ter efeitos benéficos no tratamento da depressão. Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo investigou o efeito da suplementação de magnésio em pacientes diagnosticados com depressão e hipomagnesemia: 60 pessoas foram divididas aleatoriamente em dois grupos, um grupo recebeu 500 mg de óxido de magnésio diariamente, enquanto o outro grupo recebeu placebo.
Os resultados mostraram melhorias significativas no estado de depressão e nos níveis séricos de magnésio após 8 semanas de suplementação, indicando que a avaliação e o tratamento para corrigir deficiências desse mineral podem ter um impacto positivo no tratamento dos pacientes.
Outro estudo em pacientes com sintomas leves a moderados de depressão mostrou uma melhora significativa nos sintomas após 6 semanas de suplementação com cloreto de magnésio. Comparando 6 semanas de tratamento ativo com 248 mg de magnésio elementar por dia com 6 semanas de controle, os resultados mostraram uma melhoria significativa nos sintomas de depressão.
Desse modo, esses resultados sugerem que a suplementação de magnésio pode ser uma opção eficaz e bem tolerada, com uma média de 83% de adesão, o que proporcionou uma melhoria rápida nos sintomas sem a necessidade de monitoramento rigoroso para toxicidade.
Outro ensaio clínico realizado com 46 pacientes com sintomas depressivos, que receberam diariamente uma dosagem de 500 mg de magnésio por oito semanas. Ao final desse período, os pacientes foram avaliados pelo Teste de Beck. Como resultado, encontrou-se uma diminuição significativa no score de sintomas depressivos e um aumento expressivo no magnésio sérico.
Outros micronutrientes importantes à saúde mental
Assim como o magnésio, existem outros micronutrientes importantes na função cerebral saudável, como a vitamina D. Nesse sentido, estudos mostram que a suplementação de vitamina D associada ao magnésio é uma aposta promissora no controle de sintomas depressivos em mulheres obesas, uma vez que essas substâncias são capazes de beneficiar as oscilações de humor, aumentar a quantidade de BDNF e reduzir o estado pró-inflamatório da obesidade.
Com os índices de ansiedade e depressão atingindo cada vez mais idades menores, um estudo coordenou uma análise prospectiva com adolescentes de 14 a 17 anos considerando também seu contexto sociocultural, onde encontrou uma correlação depressão/consumo de magnésio. Os pacientes que possuíam alimentação rica em magnésio e zinco, mesmo o último não atingindo resultados estatisticamente significativos, tinham seus comportamentos menos externalizantes.
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Referências
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DE CARVALHO SEVERIANO, Anna Carolina; DE FIGUEIREDO JÚNIOR, Hélcio Serpa. Magnésio e depressão: uma revisão integrativa. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 1, p. 1522-1530, 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/13068
SILVA, Maria Eduarda Laval et al. A importância da nutrição no tratamento da depressão: uma revisão atualizada da literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 3, p. e70418-e70418, 2024. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/70418





